Quinta-feira, Outubro 26, 2006

Ailibam a arap

Este post é dedicado a alguém que cometeu o sacrilégio de dizer que Bocage era uma seca e que não prestava.
Lede pois o soneto que se segue (que até é um dos mais "levezinhos") e mudai de opinião.

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia -- o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade;

Não quero funeral comunidade,
Que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade;

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

«Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.»

(«Poesias eróticas, burlescas e satíricas»)

2 Comments:

At 11:54 AM, Blogger Rita disse...

Gostava d saber quem pode ter dito que não gostava de Bocage!!! Epa, tem coisas engraçadas, mas não me desperta grande interesse. Louvo a tua tentativa de me fazeres gostar. =p Ah, e gostei mt do título do post!

 
At 1:39 AM, Blogger Sr.Valter Ego disse...

O Barbosa era um poeta jeitosinho,mas não se compara ao Manuel Alegre.

 

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